quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Acontece... Carlos Pinto Coelho partiu

imagem in http://www.e-na.net/19980601Acontece.html

"E assim acontece"... é esta a frase que me ocorre ao saber que Carlos Pinto Coelho partiu. O coração deixou de bater e assim aconteceu. Um grande senhor da televisão portuguesa, um grande senhor da cultura. Era cedo demais, 66 anos, alguns dos quais numa prateleira de esquecimentos a que a ingrata televisão tantas vezes condena valores grandes. Este foi um deles...
De 1993 a 2003 apresentou (e penso que era o autor) o"Acontece", um magnífico programa de televisão que apresentada de forma muito própria (lembro a caricatura que Herman fez dele), agora estava de volta noutros trabalhos na RTP Memória.

In memoriam... acontece... Carlos Pinto Coelho (1944-2010)


sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Portugal... pelas palavras de Ary dos Santos


Nos tempos que correm, este poema / canção é de uma pertinência extrema. Poema do grande José Carlos Ary dos Santos e música igualmente grande Fernando Tordo. Deixo aqui o poema e vejam se não é mesmo este o nosso país, capaz do melhor e do pior... Um país entre a ternura e a amargura...

"Desde quando nasci
Que o conheço e lhe quero
Como a um irmão meu
Como ao pai que perdi,
Como tudo o que espero.

É um homem que tem o condão da doçura
No sorriso de água, nos olhos cansados,
É metade alegria, é metade ternura
Nas palavras cantadas, nos gestos dançados,
Nos silêncios magoados.

Tem um rosto moreno
Que o inverno o marcou
E apesar de ser forte,
É um homem pequeno
Mas maior do que eu sou.

Tem defeitos, é certo. Como todos nós.
Sonha, às vezes demais,
Fala, às vezes no ar
Mas quando dentro dele a alma ganha a voz
É tal como se fosse o som do nosso mar,
Se pudesse falar...

Foi capaz de mentir,
Foi capaz de calar
É capaz de chorar e de rir,
Tem um quê de fadista,
Tem um quê de gaivota,
E a mania que há-de ser artista.
Quando vê que precisa
É capaz de roubar,
Mas também sabe dar a camisa.
Foi capaz de sofrer,
Foi capaz de lutar,
É capaz de ganhar
E perder.

É um amigo meu que às vezes me ofende
Mas que eu sei que me escuta,
Que eu sei que me ouve
E também compreende.
Quantas vezes lhe digo que tenha juízo,
Que a mania dos copos só lhe faz é mal,
Que a preguiça não paga e que o trabalho é preciso.
Ele encolhe-me os ombros num despreso total,
Este tipo é assim, mas...

Foi capaz de mentir,
Foi capaz de calar
É capaz de chorar e de rir,
Tem um quê de fadista,
Tem um quê de gaivota,
E a mania que há-de ser artista.
Quando vê que precisa
É capaz de roubar,
Mas também sabe dar a camisa.
Qual o nome final
Deste amigo que eu canto?
Pois é claro que é
Portugal."


terça-feira, 19 de outubro de 2010

Há dias assim...


Foto

Hoje fui a Lisboa. Como tinha tempo, estacionei e fiz o resto do percurso até ao meu destino a pé.
Nas Avenidas novas, que frequentei bastante na infância e juventude, a dois passos de onde nasci, com 25º C e um sol esplendoroso, senti-me bem, apeteceu-me sorrir... Senti-me feliz!
De forma simples, sem razão aparente, um dia ameno na minha cidade fez-me sentir em paz comigo e com a vida! Por momentos não havia preocupações, nem tristezas, nem OE, nem défice, havia um Portugal feliz!


sexta-feira, 30 de julho de 2010

Talento, coragem, humanidade... e um grannnde sorriso!



António Feio era o Tony da "Conversa da Treta", era um actor ímpar, um humorista, um Homem, assim mesmo com H grande, porque era grande como actor e como pessoa, porque tinha uma imensa humanidade.
Recordo a sua mensagem de promoção do filme "Contraluz" que é afinal uma lição de vida:

"Aproveitem a vida e ajudem-se uns aos outros. (...) Não deixem nada por dizer, nada por fazer"

Até sempre, António Feio, e obrigada! :)

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Dia dos Avós - obrigada!

O dia dos avós nunca foi um dia especial para mim, porque os meus avós estavam ali, ao meu lado. Um beijo, um abraço, um sorriso, uma zanga, uma teima, estava tudo ali à mão, todos os dias da minha vida. Nasci e cresci com os meus avós maternos sempre por perto. A "casa da avó" era um bocadinho a minha casa. Lá sabia que tinha que contar com as regras e feitio especial do meu avô, mas também com o seu inteligente e peculiar sentido de humor e com a ternura e o sorriso da minha avó, uma daquelas avós-mãe, em cujo coração cabe sempre mais um.

Agora que a minha avó partiu e o meu avô é uma sombra do que foi, este dia torna-se mais triste e doloroso, mas, por outro lado, também feliz, pelo que vivemos juntos, eu, os meus avós e o meu irmão. Com eles descobrimos Lisboa, os museus, os monumentos. Não voltei a visitar o Palácio da Ajuda e o Palácio de Queluz, por exemplo, desde que os visitei com os meus avós. A "sopa de Lisboa" (que a minha avó fazia, sem panela de pressão, quando iamos à casa que tantos e tantos anos tiveram alugada na Graça) tinha um paladar único. Os ovos estrelados da minha avó tinham também um sabor especial. As histórias que o meu avô contava da sua juventude que podiam ser repetidas, mas só ele tinha graça a contar. O seu humor às vezes mordaz, mas ímpar. E tantas outras memórias...

Neste dia dos avós, esta é a homenagem que quero fazer aos meus avós. Estou triste, porque não os tenho comigo, mas feliz porque guardo deles memórias valiosas. Eles fazem parte de mim e há muita coisa no que hoje sou que é também obra deles. Muito obrigada, avó e avô!!

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Que seja infinito enquanto dure

Faz hoje 30 anos que partiu Vinicius de Moraes, o "poetinha" como ficou conhecido, ou o branco mais preto do Brasil, como o apresentaram hoje na Antena 1. Um poeta que ficou para sempre associado à música, graças às parcerias que foi fazendo com músicos de renome, como Tom Jobim (quem não se lembra da "Garota de Ipanema"!), Toquinho, Chico Buarque, entre tantos outros.
Terá gozado a vida da melhor maneira que pôde e soube, para o bem e para o (seu) mal.

Foi amado e amou... uma e outra e outra vez... sem desistir. Casou 9 vezes, quem sabe em busca do amor eterno em cada um deles. Foi aliás o poeta do amor, que defendia que a vida era "a arte do encontro".

Sou definitivamente admiradora e apreciadora da obra de Vinicius e até da forma peculiar como viveu e há uma frase que define bem a sua maneira de estar na vida - "que seja infinito enquanto dure" (in "Soneto da Fidelidade").

30 anos após a sua partida, esta é a minha forma de o homenagear pelo amor que deixou em cada uma das suas palavras...

De entre tantos poemas que podia escolher, optei por este...


Soneto da Fidelidade

"De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure."


Vinicius de Moraes


(imagem in http://sambadobrasil.wordpress.com/2008/05/07/vinicius-de-moraes-na-avenida/)


terça-feira, 6 de julho de 2010

Mesmo felizes precisamos dos outros

"E, sobretudo, lembrem-se do coração de cada um de nós, desta força imensa. E não adiem os vossos gestos. Procurar alguém que sofra, que precise de nós, nem sequer é um gesto generoso, deve ser um gesto natural que se não adia.

Às vezes até precisamos uns dos outros para dizermos que estamos felizes, contentes. Só para isso. Mesmo felizes precisamos dos outros."


Matilde Rosa Araújo (1921-2010) - Conto "Fita Vermelha"