terça-feira, 30 de março de 2010

Ainda a Escola...


Ao ver o Prós e Contras de hoje sobre "Quem manda na Escola?", ocorre-me que há responsabilidade em todas as partes (professores, alunos, pais, psicólogos, políticos...sociedade). A escola é uma incubadora da sociedade e o problema é mesmo esse, a sociedade está doente.


Embora haja dias em que é muito difícil "viver" numa escola, é essa ainda a minha segunda casa, ser professora é ainda a minha vocação. Nas escolas há também alunos que pensam e têm opinião sobre as coisas - concorde-se ou não com as suas ideias, Pedro Feijó, da Associação de Estudantes da Escola Secundária de Camões, é um exemplo, um bom exemplo disso mesmo.

Numa das minhas Direcções de Turma deste ano, um aluno portou-se mal, mesmo mal, e como consequência teve um dia de suspensão e um projecto de trabalho comunitário: no dia de suspensão, foi a uma instituição de idosos, acompanhado de uma professora, conhecer a instituição e delinear com os responsáveis as tarefas a desenvolver nos 4 dias de férias da Páscoa que cumprirá nessa instituição. Hoje foi o primeiro dia e correu lindamente... A Escola é também isto - os actos têm consequências, punitivas, mas também de cidadania.



sábado, 20 de março de 2010

Limpar Portugal... lado a lado



A ideia surgiu na Estónia em 2007 e, em Maio de 2008, cerca de 50 mil voluntários recolheram cerca de 10 mil toneladas de lixo. Em Julho de 2009, Nuno Mendes, Paulo Torres e Rui Marinho abraçaram esta ideia e, com o alto patrocínio da Presidência da República, aí estiveram milhares de voluntários no terreno, a limpar Portugal. Devido ao mau tempo, talvez não tenham estado os 100 mil voluntários inscritos, mas, ainda assim, os resistentes foram, de certeza, alguns milhares e o que fizeram, fizeram com verdadeiro empenho.

A minha Escola, a ESCO, uma Escola Profissional, além de se empenhar em formar bons profissionais, tem uma preocupação ainda maior, formar bons cidadãos. Assim, cumprindo a nossa tradição e como em tantas outras iniciativas, juntámo-nos a este projecto e lá fomos limpar Portugal.
O tempo estava mau, houve desistências (havia 24 inscritos pela nossa escola e apareceram 11), mas os que ficámos (professores, alunos e um psicólogo) entregámo-nos à tarefa de alma e coração... e com boa disposição!
Ali para os lados de Santa Cruz, varremos um pinhal, estrategicamente, como numa batida, recolhendo os mais variados detritos. Descobrimos que os portugueses são... muito desleixados, para não usar outras palavras mais feias que nos foram ocorrendo. Carregámos lixo e mais lixo, sujámo-nos da cabeça aos pés, ficámos exaustos, mas também rimos e brincámos, descobrimos mais sobre nós próprios e uns sobre os outros, lado a lado.

Foi uma boa experiência, diferente na forma, mas semelhante a tantas outras em que temos participado nesta escola, lado a lado, alunos, professores e funcionários. Afinal, nem tudo está mal nas escolas portuguesas, os alunos e os professores não estão todos e não estão sempre em lados opostos das barricadas. Nos tempos que correm é importante dizer isto.

Nós, na ESCO, fomos limpar Portugal... e reforçar laços que nos fazem crescer, a todos, e nos tornam melhores cidadãos. ...Além disso, fomos zelar pelo presente e pelo futuro de todos nós. Valeu a pena!

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Tudo muda de repente

http://fotos.sapo.pt/0a7YceO5L1T7d3tQgNQc?a=3 (foto de António Garcês)

Andava a pensar passar por aqui e escrever um pouco sobre o Carnaval "mais português de Portugal", ou seja, o Carnaval de Torres Vedras, mas fui adiando e, de repente, dá-se a tempestade na Madeira e o Carnaval deixa de fazer qualquer sentido... ou talvez faça. Afinal a vida muda a qualquer instante.
No Carnaval, aqui por Torres Vedras, as pessoas transfiguram-se. Assim, que passa o Natal, começam a pensar no Carnaval. Neste período de 3 a 4 dias a alegria reina, apesar de tudo. Para mim, que sou alfacinha, é interessante olhar à volta e ver, com olhos de forasteira, os sorrisos nos rostos e a alegria na alma. Respeitáveis chefes de família transformam-se em orgulhosas matrafonas, selectas mães de família viram odaliscas e pop stars, adolescentes tresloucados escolhem as máscaras mais bizarras, grupos de casados e de solteiros, no feminino e no masculino, dançam, bebem, saltam e pulam noite fora. Só vendo e vivendo dá para perceber.


É realmente quase tudo genuinamente português, os carros alegóricos, os cabeçudos, os reis (que são um rei e uma rainha, mas ambos homens), mas... a música é brasileira. O ritmo do samba entra no sangue e, faça chuva ou faça sol, a energia apodera-se dos corpos e ninguém consegue ficar parado. Do corso escolar (que este ano foi cancelado devido ao mau tempo, mas contaria com cerca de 8000 alunos das diversas escolas do concelho), ao corso trapalhão, passando pelos corsos diurnos para turista ver, os torreenses de gema não param, encontram força nem sei bem onde. Eu que não gostava nada de Carnaval, já que para mim era sinónimo de partidas palermas, ovos e farinha a voar, aprendi a gostar deste Carnaval e dou por mim a pensar que é pena o espírito dos portugueses não ser mais carnavalesco todo o ano, certamente seriamos bem mais felizes.
Na Madeira, o Carnaval também é festa. Este ano lá estava Alberto João Jardim de novo no desfile, alegre e pronto a dar as suas ferroadas cá ao "contenente", mas.... eis que chega a tempestade e a pérola do Atlântico é tomada por uma torrente de lama, que, encosta abaixo, sem dó nem piedade, leva tudo à frente. E assim nos lembramos que tudo muda de repente.
...Mas se calhar esta é mais uma razão para pensarmos que devemos desfrutar dos bons momentos enquanto os temos. A vida tem que ser vivida com alegria, porque nunca sabemos quando pode mudar. Deviamos ter dentro de nós um bocadinho de espírito carnavalesco, aquele que os nossos irmãos brasileiros têm e que os ajuda a aguentar as agruras da vida e a enfrentar os problemas com um sorriso nos lábios.
Afinal, da alegria à tristeza vai apenas um pequeno passo.

domingo, 17 de janeiro de 2010

E se...


imagem in http://www.diariodepernambuco.com.br/mundo/nota.asp?materia=20100113133503

No final de 2009, a terra tremeu em Portugal. Para mim, que nunca tinha sentido um tremor de terra (das outras vezes ou estava a dormir ou em movimento e não dei por nada), foi uma sensação muito estranha e arrepiante. Senti o chão tremer debaixo da cadeira, vi o candeeiro balançar e levantei-me num ápice. Foram apenas alguns segundos, mas lembro-me de pensar "E agora? Será que foi só isto ou vem aí mais??". Tive uma tremenda sensação de impotência, mas felizmente ficou-se por ali. Depois pensei que tinha sonhado e só quando confirmei com outras pessoas, percebi que tinha sido real. Mas passou... Na semana seguinte, um temporal abateu-se cá pelo Oeste e de novo senti medo, ao ouvir aquele vento indomável bater nos estores da janela e objectos a rolar na rua. Não quis ver. Acordei com o susto, fui à casa de banho, deitei-me outra vez, encolhi-me e pensei "Seja o que Deus quiser!". Tapei os ouvidos e consegui dormir. Apesar de, no dia seguinte, haver muitos estragos, não houve baixas humanas.
Neste início de 2010, um dos países mais pobres do mundo não teve tanta sorte. Cerca das 17 horas (hora local), de dia 12 de Janeiro de 2010, a terra tremeu violentamente e um país ficou desfeito. Ruínas, fome, sede, miséria, pessoas ainda vivas soterradas, que os que se salvaram tentam tantas vezes salvar removendo destroços com as próprias mãos, ameaça de epidemias - é este o cenário hoje, uns dias depois do sismo. As réplicas continuam, as pessoas em desespero vagueiam pelas ruas... e rezam! Cantam, pedindo auxílio divino! O auxílio internacional vai chegando, mas ainda não é efectivo, porque quem melhor podia ajudar, por conhecer o país (como dizia o jornalista Vítor Gonçalves da RTP), são os desaparecidos (mortos) nos destroços, o chefe da missão da ONU no território e o seu adjunto.
Esta noite vi uma reportagem da TV brasileira em que populares e militares brasileiros das Nações Unidas conseguiram resgatar, com as próprias mãos, ainda com vida, uma enfermeira grávida, nas ruínas de um centro materno-infantil. Estava enterrada até ao pescoço e conseguiu sobreviver. Vi ainda numa reportagem da CNN uma menina, que se julgava ter ficado orfã, ser encontrada pelos pais, que se julgavam mortos, numa tenda de ajuda humanitária. São autênticos milagres! Mas senti também uma imensa frustração ao ver uma Escola Profissional em ruínas, onde ficaram cerca de 300 alunos e os seus professores (uma escola como a minha! Com o mesmo número de alunos!!!), sabendo que, se houve sobreviventes, morreram ou estão a morrer de desespero entre os destroços!...
O horror domina aquele pequeno país das Caraíbas. O sofrimento está lá e não se vai embora. Não podem fazer o que eu fiz e dormir até ao dia seguinte, porque não tiveram tanta sorte. E se nós tivessemos tido o azar que eles tiveram??? E se... Afinal nunca país nenhum está preparado para estas tragédias e ninguém pode nada contra a Natureza, embora grande parte do tempo pense que sim...

domingo, 27 de dezembro de 2009

Boas Festas!


A todos os visitantes deste blog, aos amigos que conheço pessoalmente e aos que ganhei na blogosfera, os meus votos de Boas Festas! Saúde, amor, alegria e boas energias é o que desejo a todos para 2010!

Prometo voltar em breve para escrever mais alguma coisa e responder aos comentários que me deixaram. Não esqueci este cantinho, nem os cantinhos que visito com regularidade.

A todos um excelente 2010! E, já agora, que o mundo dê um passo para se tornar melhor!

Beijos e abraços calorosos!

Imagem in http://profadeniseinfo.blogspot.com/2008_12_01_archive.html

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Por falar em sorrisos...

Ocorreu-me há pouco, ao visitar a "Floresta das Leituras", uma frase de que gosto particularmente. Sou dos que pensam que a vida deve ser vivida com um sorriso e que, por isso, nos sorrirá de volta e há uma frase que espelha isso mesmo, que o meu irmão tinha num poster no seu quarto quando era pequeno:

"Sorri, sorri sempre, ainda que o teu sorriso seja triste, porque mais triste que o teu sorriso, é a tristeza de não saber sorrir."

Não sei quem é o autor, mas gosto muito desta frase, é uma espécie de lema de vida.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Nascidos no lado errado do mundo...


Vi hoje à noite uma reportagem na TVI que julgo ter sido transmitida pela primeira vez no ano passado - "Filhos do Coração" de Alexandra Borges -, para quem não saiba, o tema central são as crianças escravas do Gana, no Lago Volta. A Fundação Luís Figo colaborou na campanha de resgate de 10 crianças escravas, todas elas escravizadas desde muito pequeninas (4 ou 5 anos), por pescadores da zona, todas doentes à data do resgate. Uma resposta que me impressionou foi a de um dos meninos resgatados que, quando questionado sobre se tinha alguém que se preocupasse com ele, respondeu sem hesitar "Deus"...
Lembrei-me de uma outra reportagem que vi há umas semanas, da Cândida Pinto, já não sei em que canal, sobre as crianças orfãs em Moçambique, que vivem sozinhas porque os pais morreram infectados pelo HIV. Irmãos que vivem sozinhos, quase sem recursos, mas que andam quilómetros para irem à escola, de estômago vazio e em que os mais velhos cuidam dos mais novos. Comem o que conseguem recolher da natureza, têm saudades dos pais, fazem brinquedos com arames e latas velhas e sonham com... uma bola! (tão simples quanto isso!!) Quando um dos irmãos mais velhos foi questionado pela jornalista sobre o que lhes fazia falta, ele hesitou, mas respondeu "Nada."...

Perante isto, dei comigo a pensar que, neste país europeu à beira mar plantado, embora também havendo miséria, somos de certa forma privilegiados, nascemos do lado certo do mundo, as nossas crianças têm mais direito a ser crianças do que as que nasceram no lado errado do mundo…

Porque essas não têm os Direitos consagrados na Declaração dos Direitos da Criança, proclamada em 1959 pela ONU – onde estão os direitos à liberdade, dignidade, alimentação, habitação, assistência médica, protecção e socorro para estes meninos e meninas???? Já para não falar do direito a… brincar?! Tão simples como uma bola!!!

E assim se nasce do lado errado do mundo… Afinal, nem todos nascemos “livres e iguais”…